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Elenco de R6 entra na justiça contra Team oNe e cobra mais de R$ 70 mil

Leo Bianchi

18/04/2020 09h00

Jogadores de Rainbow Six Siege entraram na justiça pedindo rescisão imediata do contrato com a Team oNe

Anunciada na última quinta-feira, a saída do elenco inteiro de Rainbow Six Siege da Team oNe apenas dois dias após o fim da Pro League LATAM tem movimentado os bastidores do cenário competitivo. O grupo, formado por cinco jogadores, um técnico e um analista, foi à Justiça contra a organização, alegando uma série de irregularidades trabalhistas. Eles relatam atrasos de salários, falta de pagamentos de premiações e falta de estrutura para desempenhar o próprio trabalho.

O GGWP apurou a situação e ouviu envolvidos em ambos os lados. O grupo reclamante é formado por Tassus "Reduct" Scarinci, Kaique "Faallz" Moreira, Luca "LuKid" Sereno, Luiz "SKaDinha" Salgado e Felipe "FelipoX" De Lucia, além do técnico Matheus "Budega" Figueiredo e do analista Igor "Vivasss". Quem responde pela Team oNe é o CEO da organização, Alexandre "Kakavel" Peres.

A intenção do elenco é a rescisão imediata com a Team oNe, com quem o contrato vai até o fim deste ano. A multa é de R$ 81 mil por jogador. Os atletas alegam não ter recebido de forma total a premiação da ESL Challenger League LATAM Season 9, da Série B do Brasileirão de Rainbow Six Siege e da ESL Pro League LATAM Season 10. A cobrança ultrapassa os R$ 16 mil, já descontando a parte da própria equipe.

"Sobre salários e premiações, tudo que foi exposto está conectado às três viagens internacionais que foram feitas pela equipe (Las Vegas, EUA, duas vezes e Valencia, Espanha), em acordos formalizados entre empresa e atletas, com anuência de toda a equipe de R6. A Team oNe, buscando apoiar o desenvolvimento dos atletas, em alinhamento com eles, custeou três viagens em menos de um ano, que custaram aproximadamente R$ 180 mil para a empresa. Para tanto, houve replanejamento do pagamento das referidas premiações, sempre com total concordância dos players", afirmou Alexandre "Kakavel" Peres ao GGWP.

As reclamações em relação à antiga gaming house da Team oNe, localizada na zona leste de São Paulo, envolvem diversos fatores –desde a ausência de uma conexão de internet adequada até a falta de alimentação necessária para os jogadores. SKaDinha, inclusive, chegou a pedir para deixar a equipe no ano passado. De acordo com o relato dos jogadores, a casa de aproximadamente 250 metros quadrados abrigava 16 pessoas, distribuídas em três quartos. Eles alegam ter chegado ao ponto de não treinar por conta de dores de cabeça causadas pelo calor no início deste ano. A situação só teria mudado quando a Team oNe inaugurou o gaming office no Shopping D, na zona norte da capital paulista.

"A Team oNe funciona em sistema de gaming office. Portanto, os atletas são contratados para prestar seus serviços como players profissionais e recebem junto à sua remuneração os valores referentes à ajuda de custo para que possam pagar suas despesas, como aluguel, deslocamento e alimentação. Qualquer condição em que se encontrem as residências dos atletas da Team oNe não é responsabilidade da organização", afirmou Kakavel.

Os jogadores coletaram uma série de provas, que envolvem conversas por aplicativos de mensagens, fotos e vídeos para provar diversos pontos do processo. Levando em conta os diversos fatores trabalhistas cobrados pelo elenco, o dinheiro exigido pelo grupo ultrapassa R$ 70 mil. As reclamações se estendem até às más condições da casa onde a equipe fez um bootcamp em Las Vegas, em fevereiro deste ano, e ao fato de a Team oNe ter alocado a equipe de CS:GO na casa utilizada pela equipe de R6 durante esse período, sem autorização prévia.

Segundo Kakavel, os jogadores tinham autonomia para definir a rotina: "Os jogadores tiveram total liberdade para montar sua própria rotina e todo o planejamento a respeito do time, contanto que cumprissem com suas obrigações contratuais. A organização, por sua vez, investiu pesado em infra-estrutura, remuneração e custeio de viagens, como já mencionado".

A intenção da Team oNe é resolver a situação de forma amigável, de acordo com o empresário, para que jogadores e a própria organização possam seguir o trabalho no cenário competitivo, agora separadamente. Uma eventual demora no desenrolar do processo pode prejudicar o elenco, que conquistou a vaga na Série A do Campeonato Brasileiro de Rainbow Six Siege ao ficar com o título da Série B no ano passado.

A Ubisoft já alertou que "a organização que assumir o time deve atender a diretrizes da desenvolvedora, provendo estabilidade financeira, estrutura e condições necessárias para que os atletas continuem desempenhando o seu trabalho no mais alto nível de forma segura e confortável em todos os âmbitos. Acreditamos que a alta performance depende de um ecossistema justo e sustentável para todos os jogadores profissionais que estão no cenário".

Em fevereiro deste ano, o START revelou outro caso envolvendo a Team One: João Luís "Marf" Piola, jogador de League of Legends, entrou na Justiça por salários atrasados e direitos trabalhistas.

Sobre o Autor

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CSGO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e Pro Player frustrado.

Sobre o Blog

No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, pro-players e novidades em geral.