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Como streamers mudam de plataforma sem perder audiência?

Leo Bianchi

30/08/2020 09h00

Brasileiro Bruno "Nobru" em transição do YouTube para Twitch tem números tão expressivos (falando apenas em português) quanto o americano Dr. Disrespect que foi banido da Twitch e passou a fazer Live no YouTube (Foto: Reprodução/Twitch-CWL).

Embora seja uma profissão considerada "do futuro", a função de streamer já é uma realidade dos esportes eletrônicos há algum tempo. Evidentemente, há dezenas de tipos de entretenimento envolvidos nesse tipo de conteúdo – dos mais didáticos aos mais divertidos, passando por transmissões, análises ou, às vezes, apenas uma conversa entre amigos. Afinal, qual a fórmula de sucesso para esse setor do mercado? Há um caminho exato a ser seguido?

Definitivamente, não há uma resposta definitiva para esta pergunta, ainda que muitas semelhanças sejam observadas em grandes streamers. Há três exemplos que explicam bem o caso: Tyler "Ninja", Michael "Shroud" e Herschel "Dr Disrespect". Todos eles bem diferentes entre si e com um sucesso tão estrondoso quanto – ecoando não só nos limites dos Estados Unidos, mas também a nível mundial, como símbolos do entretenimento envolvendo os games.

Ninja é um dos maiores fenômenos da história do cenário. Estima-se que, em 2019, lucrou mais de R$ 70 milhões com suas lives. Ele apareceu no topo do ranking desenvolvido pela Revista Forbes. Além de um dos grandes responsáveis pela popularização do Fortnite, tornou-se uma empresa ambulante: tem produtos que vão de pôsters a agasalhos e é reconhecido por grandes nomes do mercado de entretenimento, como o rapper Drake. Em agosto de 2019 ele trocou a Twitch pela Mixer (da Microsoft) por um contrato milionário. Menos de um ano depois, a plataforma de Bill Gates descontinuou os serviços. Ninja então ressurgiu numa Live para mais de 150 mil pessoas no YouTube – plataforma que ele já hospedava seus vídeos.

O mesmo aconteceu com Shroud, ex-jogador profissional de Counter-Strike: Global Offensive. Conquistou, inclusive, a ESL Pro League em São Paulo, em um Ginásio do Ibirapuera abarrotado de fãs brasileiros, em uma final contra a SK Gaming de Gabriel "FalleN". O streamer que foi contratado pela Mixer voltou para a Twitch depois de quase 10 meses com números impressionantes. Na reestreia teve média de 200 mil espectadores simultâneos. A capacidade impressionante em jogos do gênero FPS (estendo-se para PUBG, Valorant, Apex Legends, Escape from Tarkov…) o tornou uma referência nas streams, assim como suas opiniões sempre contundentes sobre games e o cenário competitivo.

Depois de 10 meses na Mixer, Shround retornou à Twitch (Reprodução/Twitch)

Dr Disrespect é, na essência da palavra, um personagem. Com seus óculos escuros, uma peruca e um bigode, ele encarna nas transmissões um ícone irônico e caracterizado pelo mau humor – fator que encantou os fãs e o tornou um profissional de popularidade ímpar. A ideia dele era simbolizar a típica figura masculina em jogos online, de forma sarcástica. O streamer faz um caminho um pouco diferente de Ninja e Shroud porque ele foi banido da Twitch. O motivo nunca ficou claro e próprio Dr Disrespct diz não saber o que teria feito pra tomar tal punição. Dessa forma, ele migrou para o YouTube e também obteve sucesso ao bater mais de 500 mil viewers simultâneos em sua live.

Os evidentes contrastes entre os três streamers citados acima respondem, de forma didática, como o mercado de transmissões é multifacetado e cada vez mais digno de estudo. Outro exemplo é o do brasileiro Alexandre "Gaules", que constantemente chama a atenção de estrangeiros pelas transmissões despojadas de CS:GO, literalmente em um quarto, encarnando o sentimento dos torcedores, com números maiores do que o de streams oficiais dos campeonatos.

Gaulês durante a transmissão de MIBR x FAZE Clan pela ESL Cologne (Reprodução/Twitch)

Em termos de números, o jogador de Free Fire Bruno "Nobru" Goes não fica muito atrás, a Copa NOBRU chegou a registrar mais de 340 mil espectadores simultaneamente (somando a audiência das duas plataformas que trabalha: Twitch e YouTube) – vale levar em conta que os streamers brasileiros falam apenas português, restringindo o alcance apenas para o público local, enquanto os americanos que falam, evidentemente, inglês e tem audiência mundial).

A principal conclusão é a de que é necessário entender o seu próprio público, como ele se comporta, o que ele mais gosta de assistir, em quais horários, com que dinâmica… É possível encontrar streamers que mal falam, e outros que conversam o tempo todo com os fãs. Alguns que ensinam, outros que fazem rir. A "magia" do setor é justamente essa: há espaço para a criação de conteúdo não só com muitos games, mas com muitos perfis diferentes de trabalho.

Equipamentos de qualidade, um estúdio bacana e conhecimento fazem diferença? Sem dúvida, mas não mais do que se importar com os próprios fãs, ter uma rotina que crie fidelização e se reinventar de diversas formas. As plataformas podem até mudar, mas o público se mantém fiel. Desenvolver a própria "tropa", "família" ou "tribo" é tão fundamental quanto ter torcida para uma equipe de qualquer modalidade esportiva.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CSGO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e Pro Player frustrado.

Sobre o Blog

No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, pro-players e novidades em geral.