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Em "era das arenas", novo Pacaembu é revolução dos eSports

Leo Bianchi

24/09/2020 09h00

Imagens do projeto. Arena de eSports ficarã abaixo das arquibancadas (Divulgação)

Um dos estádios mais tradicionais do Brasil, casa de jogos e eventos históricos, será também casa dos esportes eletrônicos no país. O Pacaembu, hoje gerido pela concessionária Allegra, anunciou a construção de um espaço com capacidade para sediar campeonatos de Battle Royale (ou seja, dedicado a 100 jogadores), que poderá receber até dois mil espectadores em três mil metros quadrados de área. Um projeto impressionante, orçado em R$ 95 milhões.

Serão 482 metros quadrados de painéis de LED, em uma configuração que permitirá múltiplas transmissões. O projeto, parceria da Allegra com a BBL, holding de entretenimento voltada ao universo gamer, está marcado para ser entregue em 27 de abril de 2023, no aniversário de 83 anos do Pacaembu. Porém, na mesma data, no ano que vem, já estará implantada uma arena provisória, de maneira a iniciar o quanto antes os trabalhos de eSports no local. Uma escolha acertada, levando em conta a ansiedade do público.

"Estamos honrados em avançar mais uma etapa colaborando com o impulsionamento do Brasil como referência mundial de esportes eletrônicos. Esta Arena representa uma nova fase não somente na vida dos gamers, mas em todo o ecossistema e cumpre a missão da BBL de fomentar e democratizar a cultura de games e esports, conectando marcas, desenvolvedoras e consumidores", disse Nando Cohen, CEO da BBL.

É evidente que soa estranha para os torcedores mais tradicionais, acostumados a vibrar nas arquibancadas de cimento do Pacaembu com os clubes de futebol, uma reforma que escavará a Arquibancada Laranja e derrubará o Tobogã para a construção de um novo complexo de lazer. É inevitável separar o fator emocional, mas a modernização se faz necessária. Manter o estádio vivo, em uma era dominada por modernas arenas esportivas, é um fator de sobrevivência. E ninguém melhor que os games para promover tal transição.

"Essa parceria vem ao encontro da nossa visão de futuro para o Pacaembu. Ao longo do último ano, compartilhamos o nosso projeto para o Complexo com muitos potenciais parceiros e a aceitação tem sido incrível. O universo gamer, pela importância e alcance global conquistados, merece ser anunciado como a primeira de uma série de parcerias estratégicas que pretendemos revelar nos próximos meses", afirmou Eduardo Barella, CEO da Allegra Pacaembu.

Gerar identificação de novas gerações com um estádio tão tradicional, um cartão-postal de São Paulo, é um desafio, mas também uma enorme oportunidade. Os eSports podem trazer aos mais novos, através de campeonatos, eventos e ativações no Pacaembu, os sentimentos que o futebol fez atravessar gerações. Da mesma forma que o Corinthians se vale da Neo Química Arena e o Palmeiras do Allianz Parque, gerando renda e parcerias, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho será uma casa para os games nesse sentido.

Imagem detalhada do projeto de como será a área interna da arena de eSports do Pacaembu (Divulgação)

Hoje, é uma utopia acreditar que o Pacaembu sobreviveria apenas de futebol. Nos últimos tempos, o local se tornou cada vez menos corriqueiro para os clubes. O estádio sempre terá um espaço no coração dos brasileiros e, especialmente, dos paulistanos, e novos projetos não têm como objetivo apagar isso, mas sim criar novas memórias. Os games podem ser a resposta à pergunta sobre o que representa o gigante em frente à Praça Charles Miller para crianças e adolescentes de hoje, assim como pode reativar o sentimento de quem quer manter o Pacaembu em sua rotina.

A escolha dos embaixadores dessa iniciativa também foi importantíssima para "jogar junto" do público. O líder do Corinthians no Free Fire, Bruno "Nobru"; a dona da Black Dragons, Nicolle "Cherrygumms"; representantes do League of Legends, Felipe "brTT" e Júlia "Mayumi", além do apresentador Willian "gORDOx". Todos eles, cada um à sua maneira, atrairão fãs para apoiar este novo espaço e provar que o Pacaembu pode, sim, ser a casa dos esportes eletrônicos do Brasil no coração de São Paulo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CSGO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e Pro Player frustrado.

Sobre o Blog

No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, pro-players e novidades em geral.